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Deixando de acreditar nas vozes da mente

E se deixarmos de acreditar nas vozes da mente, apenas por um instante?

Nesse vídeo, Gangaji (*) convida a participante a fazer um experimento: parar de acreditar nos pensamentos que passam pela sua mente, apenas por alguns minutos, como um teste. O que aconteceria?

Vamos nos aprofundar um pouco mais no exercício de perceber o espaço que existe entre um pensamento e outro?

Escolha um objeto perto de você – uma caneta, uma cadeira, uma xícara, uma planta – e explore isso visualmente. Olhe para o objeto com um grande interesse, como que por curiosidade. Observe cada detalhe, do material que é feito e o toque da sua textura.

Evite qualquer objeto que traga uma associação forte com o passado, (como por exemplo, o lugar onde comprou ou algum objeto que uma pessoa te deu), evite qualquer coisa que estimule o pensar. Se os pensamentos surgirem, não se envolva com eles. Não é nos pensamentos que estamos fazendo esse exercício, mas sim estimular a percepção de uma simples caneta.

Você consegue olhar para o objeto sem ouvir a voz da sua cabeça comentando, tirando conclusões, comparando ou tentando encontrar explicações para ele estar ali?

Olhar em silêncio, sem julgamentos

É através da constante nomeação das coisas, pessoas e situações que o ego mantém seu poder dentro da mente não consciente.

Requer prática e treino, mas é nesses espaços que faz com que a pessoa esteja no presente. Quando sua mente deixa de julgar e viver o passado/futuro, é que você pode dizer com clareza que está no aqui e agora.

A mente é ágil. Quando percebe que estamos tentando pegar o controle, ela envia mais mensagens justamente porque não quer perder o posto. Assim como a participante do vídeo, você percebe um sentimento de medo afinal, nossa mente é uma total desconhecida para nós.

Outra maneira de aprofundar o silêncio, é escutar qualquer som que estiver acontecendo no momento. Escute-os com a mesma atenção que você deu para os objetos que estão ao seu redor. O que está acontecendo nesse instante enquanto lê esse artigo? É uma moto passando na rua? passos de alguém no quarto ao lado? alguma música na casa do vizinho?

Alguns sons podem ser naturais (água, vento, pássaros cantando) enquanto outros podem ser feitos pelo homem (barulho de tv, avião, máquina de lavar roupa). Alguns podem ser bons de ouvir, outros podem ser desagradáveis. No entanto, não diferencie entre “bom” e “ruim”. Permita que cada som seja o que é, sem interpreta-los. Observe-os relaxado, porém alerta.

Quando você olha e escuta dessa maneira, você pode ganhar um súbito senso de calma. Quando a consciência não é mais absorvida pelo pensar, a mente entra em seu original estado de tranquilidade.

É este o seu espaço interior – a mente é tranquila.

Quando você se dá conta dessa paz interior, fica mais fácil discernir entre guerra e paz. Cada vez mais você enxerga os pensamentos que vêm de fora e quando se dá conta de que está estressado, com a mente a mil por hora, você tem o poder da escolha de permanecer e alimentar o conflito ou voltar a ter paz interior.

Mas porque temos tanto medo ou dificuldade de encontrar esse espaço, porque saímos tantas vezes dele?

O silêncio da mente

silencio

Voltemos para o breve instante de paz que você obteve com o exercício acima e agora pense nos comerciais que passam na tv. Sem julgar e se envolver, apenas observe a mensagem que eles passam.

“Compre isso”, “Você precisa desse produto”, “Como você consegue viver sem isso??”, “Não perca essa oferta!”, “Último dia para comprar!!”

No nosso dia-a-dia, somos bombardeados por campanhas dizendo que precisamos comprar coisas o tempo todo, pop-ups na internet, anúncios em sites…

A sua mente que estava tranquila agora ela voltou a querer coisas. E pode apostar que esse querer é infinito, nunca cessa. Sempre haverá um item novo que você “precisa” ter.

Mas saiba que todos nós somos influenciáveis, alguns são menos, outros são mais.

Publicitários e marqueteiros sabem exatamente aonde ficam os botões que devem apertar, eles estudaram pra isso. Quando a mente está inconsciente, deixamos nos levar pela emoção, sugestões de amigos, pelo momento… e mais pra frente vemos que às vezes investir em tal coisa ou seguir algum conselho, não nos favoreceu e ainda nos prejudicou em um determinado momento.

Esse espaço entre um pensamento e outro que fazemos ao meditar, nos ajuda a saber avaliar nossa fragilidade e nossa força perante os acontecimentos da vida. Por isso os eremitas tomavam muitas vezes o caminho do deserto, onde o silêncio é absoluto para provar a si mesmos sua capacidade de estar a sós consigo mesmos, como também de escutar as respostas que só no silêncio podemos escutar.

É não ter medo de mergulhar na própria realidade humana e descobrir as feridas que ainda sangram e machucam.

Entrar no silêncio é algo corajoso: pois daí confrontaremos com o que se é.

Mas saiba que o “encarar-se a si mesmo” é onde você encontra a cura para suas feridas. Você se torna consciente do que precisa mudar – e muda.

Uma das melhores maneiras de aumentar esses espaços entre um pensamento e outro, é fazer algo muito simples: respirar profundamente. Esse é o jeito que o corpo encontra para lançar longe de si todas as tensões, todo o acúmulo de impureza presentes no coração.

O silêncio não é uma obrigação, mas uma necessidade. Um caminho para chegar a uma nova harmonização de todo o ser.

Fazer do silêncio um agradável amigo que nos toma pela mão e nos convida a “sair das coisas” para entrar em nós mesmos.

Conclusão

Buda dizia que “a mente humana deve ser mais temida que cobras venenosas e assaltantes vingadores”. Por isso a importância de nos aquietarmos e dar-lhe uma pausa.

O mais legal quando se adentra nesse espaço de paz, é você começar a perceber a movimentação da mente. Às vezes vêm cada pensamento que até assusta, não é mesmo?

Nós não temos idéia da força que é o inconsciente coletivo e infelizmente o  que vemos ao nosso redor é relacionado a stress e ansiedade e acabamos nos deixando influenciar pela onda negativista.

No entanto, nós estamos aqui para trazer consciência para essa dimensão. 

Por isso que meditar não é sentar, ficar calmo por alguns minutos e voltar a reclamar ou julgar como antes, mas sim a manutenção do silêncio interno da mente e a percepção do que é de dentro e o que vêm de fora.

Conseguiu encontrar espaço entre um pensamento e outro?

Compartilhe esse artigo para que outras pessoas saibam da importância de deixar de acreditar nas mentiras que a mente conta para que elas possam encontrar paz dentro de si.

Beijos e até a próxima!

Amina

(*) Gangaji –  Gangaji nasceu em 1942 no Texas. Foi mãe de família, ativista política, acupunturista, administradora de centro budista entre outras coisas. Contudo, um grande vazio persistia dentro dela, um vazio que nenhuma dessas atividades podia preencher. Desiludida, viajou para India, rezando por uma ajuda milagrosa. Nas margens do rio Ganja ela conheceu um senhor muito simpático: Papaji. Neste encontro, as portas do auto-reconhecimento se abriram e assim a história pessoal de sofrimento acabou: ela conheceu a Luz

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  • Referências:

Livros:- A New Earth – Awakening to Your Life´s Purpose – Eckhart Tolle

– A New Earth – Awakening to Your Life´s Purpose – Eckhart Tolle
– Silêncio – Frei Patrício Sciadini, OCD

2 Comments

  1. Helen Carolini Portugal Vieira Helen Carolini Portugal Vieira

    Querida Amina
    Eu passei a apreciar o silêncio morando aqui em Feira de Santana, e depois que comecei a meditar e estudar sobre espiritualidade passei a perceber o quanto o silêncio é gostoso, meditar é um exercício maravilhoso que me deixa calma, que me dá insights… Quando eu escuto os sons dos passarinhos parece que me aprofundo no silêncio, ouvir minha filha brincando também me traz paz. Eu tenho observado meus pensamentos negativos e as vezes é difícil não se identificar com eles. Vou fazer os exercícios que você propôs.

    PS. Gratidão pelos conteúdos

    • Amina Mafer Amina Mafer

      Helen querida!

      Fico muito contente que você está se aprofundando no silêncio, trás paz e uma lucidez enorme para lidar não só com as tarefas, com os desafios, mas também com a apreciação da vida – essa maravilha que é o instante.

      Gratidão por acompanhar o blog, pela visita e pelo carinho da mensagem!

      Beijos,
      Amina

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