Skip to content

O consumismo na visão zen budista

Como nos espiritualizar quando vivemos numa sociedade capitalista dominada pelo consumismo?

 

O consumismo desenfreado x o consumo consciente.

Enquanto estivermos nesse planeta, precisamos consumir, não há como escapar. Não deixaremos de usar roupas, de nos alimentar, de usar produtos de higiene, de ter móveis, de querer o melhor para nós mesmos e para os que estão à nossa volta.

No entanto, gosto muito da maneira que o zen budismo aborda a questão. A monja Coen nos diz que o praticante zen budista vê as provocações que a sociedade capitalista incita como uma ferramenta de auto-controle.

Ele ou ela é capaz de perceber como é estimulado pelas coisas do mundo: a propaganda e suas mensagens subliminares, as palavras “mágicas” falando no inconsciente, os “jingles”, as luzes das lojas, o modelo bonito com um sorriso encantador oferecendo um produto “imperdível”… e mesmo assim, ainda com todos esses apelos, ele ou ela consegue manter o eixo de equilíbrio e estar consciente do seu poder de escolha.

Mas serei eu capaz de não me deixar levar pelos apelos que a mídia induz?

Como alcançar o eixo de equilíbrio

A meditação é a maneira por onde conseguimos nos centralizar e manter a saúde mental.

Ao fazer a higiene psicológica e espiritual diariamente, passamos a cultivar a atenção, a tranquilidade, o relaxamento.

Meditar é um caminho por onde conseguimos encontrar nossos próprios recursos internos, fazendo com que o bem estar possa fluir da própria mente.

Dessa forma, os desejos e as emoções não são advindas de estímulos externos. Estes até podem passar pela mente, mas não desperta mais o desejo desenfreado.

Vale lembrar que não é necessário se tornar budista, monge, ou uma pessoa reclusa para cultivar essas práticas. Cinco minutos diários que você se senta em silêncio, já trás um enorme benefício. Conseguir ver com clareza e estar ciente na hora da compra, é só mais um deles.

Estudar, trabalhar, pagar contas e consumir, definitivamente não é o objetivo da nossa existência.

Existe algo muito maior, muito além disso.

A experiência da insatisfatoriedade

 

Qualquer pessoa que já foi um consumidor compulsivo conhece a experiência da insatisfatoriedade.

Consumir nos une num frenesi de minutos de felicidade com um grande desapontamento nos esperando na esquina.

Eu olhava para o ítem que outrora era “extremamente importante” ou “precisava ter”, para em seguida, ter um olhar de total indiferença, chegando até mesmo colocar o objeto tão desejado em uma caixa numa prateleira alta, de preferência bem longe das vistas. Quem nunca?

O fato de desejar mais coisas a todo o tempo indica falta de segurança, mostra que nos sentimos sós e que precisamos preencher estes vazios que geralmente, acreditamos ser com “coisas.”

Sentirmo-nos a vontade com nós mesmos dentro do nosso íntimo, nos permite deixar para trás a necessidade de não ter que demonstrar e nem provar nada pra ninguém.

A máxima do budismo se baseia em aprender a não viver nos extremos, mas sim a andar no caminho do meio – nem material demais e nem espiritual demais – além de compreender e aceitar tudo aquilo que a vida nos dá no momento.

Isso nos proporcionará uma vida mais equilibrada, reduzindo o stress e muitas tensões internas.

Conclusão

Já parou pra pensar quantas pessoas envolvidas na fabricação de uma simples peça de roupa?

Desde a pessoa que plantou o algodão, o que colheu, como a matéria prima chegou até a fábrica, como foi concebido pelo estilista e modelista, passando pelo maquinário, pela embalagem, distribuição, chegando na loja até chegar na sua gaveta ou closet.

É uma enorme rede de pessoas atuando para que uma peça de roupa chegue até você.

Pense também na comida que está no seu prato, nos produtos à sua volta… quantas pessoas se beneficiaram para que nesse momento, sua necessidade de estar vestido ou alimentado esteja realizado?

Então, respeite esse produto, essa peça de roupa/seu prato com comida e lembre que você também contribui para a economia nacional.

Lembrando que não podemos, de forma alguma, demonizar o publicitário, o vendedor, o dinheiro… se não fossem os profissionais que mostrasse o produto, como você saberia de sua existência?

Acontece que muitas dessas pessoas tem o tino comercial ou talento nato para vendas, outras estudaram muito ou foram treinadas para transformar qualquer produto em algo que você realmente precisa ter, em despertar o seu desejo de compra. Cabe à você estar consciente do seu poder de escolha.

Em relação ao dinheiro, ele não é bom, nem mau. Segundo a monja Coen, “é um meio que escolhemos para fazer trocas. O problema é o apego do ser humano ao dinheiro. Fazer qualquer coisa para tê-lo – bater, matar, mentir –, é aí em que está o mal. A questão é nos libertarmos do apego e nos livrarmos dos excessos.”

Em outras palavras, é você que precisa ser capaz de discernir entre o fundamental e o essencial na sua vida e principalmente conhecer a si mesmo, buscando saber quais são suas fraquezas, seus talentos e sempre manter seu ponto de equilíbrio.

Gostou do artigo? Quero saber sobre como você enxerga esse mundo em que vivemos e se é ou se já foi consumista. Conta aqui sua história pra gente!

E não deixe de seguir a página Amina Transcendental no Instagram. Na “Semana do Minimalismo” trarei várias “pílulas” para começarmos a viver de uma forma mais simples.

Um super beijo e até a próxima!

Amina

Fontes:

http://www.humaniversidade.com.br/boletins/zen_e_o_dinheiro.htm

6 Comments

  1. Olá Amina,
    Excelente alerta para estimular o despertar efetivo, começando pelas bases;afinal, todos somos responsáveis pelo que consumimos e pelo que isso acarreta para a humanidade e para nós mesmos.

    Vamos pensar que quando estamos ocupados em cultivar o interior,as necessidades do exterior diminuem, e quando isso acontece, a autoestima verdadeira,aumenta…..

    Adorei.

    Muitas vibrações positivas da Mônica

    • Deise Marinho Deise Marinho

      Olá Mônica!

      Muito obrigada pela visita e comentário!

      Fico feliz que tenha gostado! Com certeza, depois que descobrimos a riqueza natural já existente dentro de nós, fica muito mais fácil observar as coisas ao redor sem cair em “tentações”. Nós somos tão infinitamente ricos… uma pena que as pessoas ainda medem a abundância apenas pelo dinheiro. Mas devagarzinho e com muita paciência, chegaremos lá!

      Obrigada mais uma vez e tenha um lindo dia!

      Amina

  2. Bianca Nardi Bianca Nardi

    Olá Amina,
    Excelente artigo! Nunca fui consumista, na realidade isso diz muito sobre o meu signo, Capricórnio. O dito mão de vaca dos zodíaco! Haha acredito que somos conscientes até demais com nossos gatos! Mas mesmo assim você colocou ótimos pontos de vista sobre a cadeia de produção até o consumidor e a importância disso.

    Eu tenho uma observação em relação ao consumo. Acredito que ele beira muito a baixa auto-estima. A necessidade de sempre ter o carro do ano, a bolsa mais cara, a roupa da estação. Tudo para mostrar para o outro. Será q esse ou “esses” outros merecem tudo isso!? Ou será que é um problema neles ou em você?! É literalmente um assunto de muita reflexão pessoal!

    Beijos

    • Deise Marinho Deise Marinho

      Oi Bianca!

      Obrigada pelo comentário!

      Que bom que você nunca passou por essa experiência! Eu não diria que Capricórnio é mão de vaca, mas sim sensato! rsrsrs

      Concordo contigo, a baixa auto-estima também tem muita relevância nesse aspecto. Muitas pessoas se vestem para outras, principalmente as mulheres. Lembrei das novelas brasileiras, é um exagero, não é? Quem é que vive com um cabelo escovado, unhas sempre feitas e maquiagem daquele jeito? Isso só faz as mulheres sentirem-se pra baixo e querer consumir ainda mais. Um ponto importante a ser pensado, com certeza!

      Um super beijo e obrigada pela visita!

  3. Magali Magali

    Querida Amina!!!

    Muito interessante o artigo! Ja fui consumista e lembro muito bem da sencao momentânea de felicidade e do vazio que segue depois, incentivado por mais consumismo!

    Hoje estou curada e apesar de achar que ainda tenho muitas coisas materiais, penso bem antes de comprar, se realmente preciso daquilo e na maioria das vezes acabo não comprando o que achava que precisava! E incrível como precisamos de pouco…

    Uma vida saudável, com meditação, uma alimentação balanceada e uma mente bem cuidada são muito mais importantes do que as nossas posses materiais, sem duvidas! Obrigada!!!

    Magali Belaus

    • Deise Marinho Deise Marinho

      Oi Magali!

      Obrigada pelo comentário!

      Fico muito feliz que você conseguiu se curar, parabéns! Uma vez que nos curamos, dificilmente voltamos a ser o que éramos antes e é incrível mesmo como as coisas da vida são tão simples, não é?

      Obrigada pela visita, volte sempre 😀

      Beijo!

      Amina

Comments are closed.